CONTO: Dias perdidos

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        Uma menina de olhos e cabelos cor de mel e que tinha quatro irmãos. Assim era Lua; filha de pai lavrador e mãe dona-de-casa. Lua nasceu no interior de uma cidadezinha do agreste nordestino, em 1996.

Quando criança tinha a fama de “cabeça de vento” entre seus familiares. Era sonhadora e imprevisível, adorava fazer novas descobertas. Inteligente, mas faz pouco dessa ferramenta. Deixava-se levar por quaisquer comentários e situações que a agradasse; garota ingênua. Não aproveitou muito sua infância, pois, desde cedo, fora educada para o trabalho.
Aos 14 anos uma amiga lhe apresentou um rapaz chamado João, pelo qual ela sentiu um forte interesse, desenvolvendo assim uma afeição. Então, começaram a namorar. João contou a ela que tinha alguns problemas de saúde: depressão e hepatite, e, após três meses de namoro, ele começou a ter crises das mais variadas; chegou a quebrar as coisas do quarto dela, perder a memória e não saber como comer ou utilizar o banheiro. Lua continuou forte e cuidou dele até que a memória voltasse.
Depois de algum tempo, João teve de ir a Salvador para trabalhar e ela começou a entrar em um novo mundo, de eventos e passeios. Conheceu novas pessoas e a liberdade. Ela quis trazê-lo para este mundo. Ideia perdida; ele não gostava dos novos amigos dela.
Assim, Lua foi se afastando e a mãe dela se apegando cada vez mais a João. Esse contexto seguiu-se por três anos, com um namoro frio e sem demonstração de amor, de ambas as partes. Decidiram terminar. Após um tempo ficou claro que para ela havia acabado, mas para ele não. João decidiu que queria se casar com ela de toda forma, deixando-a assustada e com medo.
Sem muito esperar, Lua foi para a casa de sua prima em outra cidade, e lá conheceu mais duas pessoas, que se tornaram suas amigas e lhe acolheram muito bem, mas também a convidaram para o mundo das bebidas alcoólicas. Momento difícil; Lua havia se apaixonado por uma dessas pessoas. O nome dele era Vítor.
Vítor, um jovem de 19 anos, vindo de uma família de classe média, dizia estar também apaixonado por ela. Mas mentia sobre os seus sentimentos; na verdade, ele queria aproveitar de sua ingenuidade e se divertir com ela. Lua foi avisada várias vezes sobre essa situação, mas não deu ouvido, estava fascinada. Apaixonada. Ninguém podia fazer nada, a não ser ela mesma. Então todos a observavam, esperando ampará-la em sua difícil decisão de enxergar a decepção amorosa. Não demorou muito e foi o que aconteceu.
Sua mãe logo soube e resolveu prendê-la em casa, querendo que ela se esquecesse desse rapaz da outra cidade, de todos os lugares e eventos que ia, e se casasse com João. Ainda por causa da doença, João morou um tempo em sua casa, pois regrediu mentalmente e não queria ir embora. Recentemente acabou comprando um terreno bem próximo e vive sempre por lá.
Essa situação perdura até os dias de hoje. Para piorar, o casamento de seus pais está quase destruído, devido a brigas e discussões desnecessárias que ocorrem diariamente. Coisa de desestrutura conjugal mesmo. Mas a culpa é jogada em Lua, pois sua mãe deseja ardentemente vê-la deixar os estudos e se casar com João.

         A jovem Lua, hoje com 18 anos, está sendo consumida pela angústia e medo. Sente-se muito mal, e durante algumas noites se embebeda até vomitar, chorando descontroladamente escondida de todos; a menina de olhos e cabelos cor-de-mel está se tornando depressiva e alcoólatra. Ainda é apaixonada por Vítor, mas tem consciência de que ele a enganou, e não quer mais se ferir. Apesar de ter vontade de ser independente, Lua é fraca e, possivelmente, irá ceder. Mesmo sem amar João, vai casar, para acatar as exigências da mãe. 


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2 comentários:

  1. Muito sucesso no seu blog, já estou adorando!!!

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    1. Fico feliz e Agradeço! Volte sempre à acessá-lo, espero sua visita! :D

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